quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Para "você"




Se sua sanidade estivesse aqui, saberia como olhar sem me machucar?
...
Eu sei que não posso culpar nem você nem eu mesma por nossas vidas terem se resumido ao esquecimento... Sua distração e a minha falta de atenção. Corrompida por aquilo que me fez questionar o porquê e para que. Eu não sou nenhuma santa. Acredito que existe algo mais forte do que as pessoas, pois essas mesmas preferem esquecer ao acreditar... A verdade é essa: o mundo está sendo esquecido e junto com ele todos nós. Mas a culpa está em cada um.

Mas eu não quero esquecer do que um dia você foi...
Porque só consigo lembrar do agora?
A tua doença me consumiu doentemente e parece que corre nas minhas veias cada gota de raiva e de medo. Sou humana tenho medo, tenho desejos, fraquezas... Sei que fraquejei contigo te prometi a cura, mas não tenho cura nem para mim mesma.
Você que um dia cuidou de mim... E agora é minha vez, por que eu me recuso a aceitar a situação? Sou um monstro? Será por pensar que a diferença de cuidar de uma criança que um dia vai crescer e cuidar de si, e a de uma pessoa que vai depender a cada minuto de uma atenção que eu não posso dar se resumiu ao fracasso. Ao meu? Ao seu?
O que eu vou fazer para conseguir conciliar tudo, minha vida, a sua e a daquele que tomou o teu lugar e assumiu os dois papeis?
Eu sou um monstro, Oh Deus como sou uma incrédula, pouca fé nas pessoas é o que eu quero dizer, pouca fé em mim que estou aqui por forças que nem mesmo sei de onde vem, porque um outro “eu” já morreu a algum tempo atrás quando estava cega, olhando para mim mesma e para meu egoísmo. Mas essa nova eu, será que vai fazer valer a pena?
Sinto dores do amor e do desespero de não poder protegê-la do mundo.
Sinto a mesma dor de uma mãe?
Foi meu fracasso ou o seu? Ou de todos?
É só um pesadelo, eu vou acordar?
Fico imaginando um dia em acordar.
Mas eu sei que não... Vou.

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